segunda-feira, março 30, 2009

Ler imagens no CCB




Ler imagens no Museu Berardo, no dia 27, revelou-se bem mais difícil, por causa do sono e do cansaço, por causa da falta de experiência de interpretação deste tipo de texto. Ainda assim alguns tentaram.

domingo, março 29, 2009

Dos Prazeres ao Panteão Nacional

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A aventura do 28. O sono, ai o sono.

O dia seguinte

Depois de uma noite sem dormir, um passeio matinal para revitalizar e abrir o apetite para o pequeno-almoço.

Uma noite de "improvisos"

A nossa viagem ao mundo do teatro continuou, ainda no dia 26, à noite, quando fomos assistir ao espectáculo Esta noite improvisa-se, peça de Pirandello levada à cena pelos Artistas Unidos.
De regresso ao mesmo teatro que à tarde nos tinha deixado fascinados, continuaram as surpresas e o encantamento. Primeiro, antes do espectáculo, a caça ao autógrafo de actores e outras figuras públicas que vieram assistir à peça, com especial relevo para a "desgraçada" da actriz Dalila Carmo, que teve de dar vinte e tal autógrafos enquanto tentava jantar no restaurante do teatro. Depois, durante o espectáculo, o inesperado do teatro de Pirandello: sair ou não sair da sala no "intervalo", ver as cenas que se passavam lá fora ou ficar para assistir ao que se desenrolava dentro da sala? A perplexidade esperada, algum desconcerto, mas muita curiosidade e, mais uma vez, encanto. A melhor frase para definir o que sentiram os alunos talvez seja a do Pedro: "Não percebi metade, mas foi espectacular.". O que realmente interessava foi, pois, conseguido: desfazer o preconceito de que "o teatro é chato" e cativar potenciais espectadores para o futuro.
Descobrimos também que a arte, não sendo a vida, pode fornecer-nos lições para a vivermos: o drama de uma Mommina castrada e aniquilada pelo ciúme obsessivo de Rico Verri deu-nos matéria para algumas reflexões paralelas. Mas essa é uma peça para alguns "actores" que queiram rever-se nas suas personagens...

sábado, março 28, 2009

A Visita

No contexto da nossa visita de estudo a Lisboa, no dia 26, empreendemos uma viagem ao mundo do teatro. Começámos, à tarde, com o privilégio de assistir ao ensaio geral de «A Visita», espectáculo que estrearia no dia seguinte (a 27), Dia Mundial do Teatro. Fomos convidados a percorrer os bastidores do teatro e a "cruzarmo-nos" com figuras como Almeida Garrett, "a senhora dona" Palmira Bastos e "a senhora dona" Amélia Rey Colaço, duas grandes senhoras do teatro que, sobretudo a segunda, marcaram a história deste teatro nacional, um contra-regra /ponto muito engraçado e um "Pãozinho" (o actor José Neves) que se vai apaixonando pelas actrizes e tentando seduzir potenciais candidatas entre o público (não é Cristina, Lúcia, Carina,...?).
Esta visita-espectáculo tem texto de Abel Neves e coordenação artística de Natália Luiza. Os actores António Banha, João Grosso, José Neves, Lúcia Maria, Manuel Coelho, Maria Amélia Matta e Paula Mora, todos do elenco residente do D. Maria II, interpretam as personagens que evocam a memória do teatro nacional, ao mesmo que nos desvelavam o fascinante mundo do espaço público e dos bastidores do teatro.

Com a lição estudada em Cerva, não surpreendeu tanto a revelação de dados como a data da sua inauguração (1846), a data do incêndio (1964), mas impressionou-nos imenso a todos o facto daqueles actores fantásticos terem esperado por nós (apesar do nosso embaraçoso atraso) e encantou-nos a forma como nos envolveram no jogo de descoberta do teatro, com o "chá" na sala de adereços ou a honra de pisar o palco e ver a cortina a abrir-se para um "público" que nos aplaudia.
Foi uma experiência única e tão especial que nenhum dos alunos ou dos professores vai esquecer. Por isso, agradecemos muito, muito, muito, as diligências da Dr.ª Ana Ascensão, que viabilizaram a vivência deste momento mágico, e a paciência dos actores e da coordenadora artística para esperarem por nós. E pedimos desculpa por alguma "impertinência" da nossa (minha) parte...

Num mundo eléctrico

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Primeira paragem na nossa visita de estudo a Lisboa. Ler o passado, as origens da produção de electricidade em Portugal. O Museu da Electricidade ou o "Mosteiro da Electricidade", como alguém lhe chamou...

domingo, março 22, 2009

Vamos ao teatro



Esta noite improvisa-se, de Pirandello, encenação dos Artistas Unidos, no Teatro Nacional D. Maria II. É já no dia 26 de Março.

"Esta noite improvisa-se" é também uma história condensada dos Artistas Unidos

Uma das coisas que fui descobrindo enquanto espectador de teatro é que podemos ter saudades de espectáculos com a mesma aflição com que lamentamos a distância de um amigo ou de um familiar.
E são muitas as saudades que tenho dos primeiros espectáculos dos Artistas Unidos: o António, o Prometeu, o Fim, o Coriolano, o Fatzer, o Navio... Eram espectáculos imensos, corais, polifónicos, eléctricos e monumentais. Havia neles um frenesim partilhado entre o público e os criadores - como se todos dançassem uma valsa estonteante.
Em "Esta Noite Improvisa-se" regressa-se a essa valsa. Durante a primeira hora e meia de espectáculo (incluindo o intervalo) há de novo a polifonia e o caos orquestrado dos primeiros anos (1995-2000) dos AU. Com um ritmo implacável e contagiante, cerca de trinta actores em palco levantam as personagens do texto de Pirandello, usando a auto-ironia e a alegria pelo jogo como denominador comum da representação.
O termo "pirandelismo" é hoje vago sinónimo de temas como a comédia social, o teatro-dentro-do-teatro, a força do inconsciente, da loucura e do absurdo; e de lugares como uma tendência para a racionalização e pela obediência a lógicas individuais em detrimento das lógicas sociais. Em "Esta Noite Improvisa-se", além do óbvio jogo do teatro-dentro-do-teatro, a tragédia da família La Croce insere-se precisamente na exploração de uma lógica individual que não obedece à moral vigente (característica tão mediterrânica!). Assim se explicam a semi-prostituição que a mãe (esplêndida Lia Gama) obriga as suas filhas (joviais Sara Belo, Andreia Bento, Cecília Henriques e Sílvia Filipe) e os peculiares traços da sua harmonia familiar, onde não faltam coristas e amantes. Mas este é também um caminho que Jorge Silva Melo usa para chamar a palco os traços de uma Lisboa antiga, fadista e gaiata, com marinheiros, brigas, ligas e facas. Com efeito, a nostalgia será um traço estruturante para a encenação: nostalgia pelos anos primeiros dos AU, por outras encenações do texto de Pirandello, pela história do teatro e do cinema europeu, em suma, por uma Europa e por uma vida que não existe mais e que, no teatro, se pode ainda fingir que existe (a composição perfeita de Cândido Ferreira evoca figuras que vão de Fellini a Kusturica, passando por Vasco Santana, p.e.).
Mas a fársica tragédia da família La Croce é inserida num jogo do teatro-dentro-do-teatro onde é protagonista o encenador Hinkfuss, que António Simão compõe com uma graça e um estilo de auto-ironia inexcedíveis. Simão assume-se como um dínamo carismático e cativante de todo o espectáculo (e quando faz play-back da voz-off de Silva Melo, que vai dizendo algumas didascálias do texto de Pirandello, a referência auto-paródica à figura do encenador não podia estar mais explícita...) Cenograficamente, o palco é dominado por um enorme bloco vermelho que, movimentando-se, cria várias entradas e possibilidades de movimentação. Mas cria sobretudo a tessitura para a projecção de várias sombras de vários actores e em vários momentos, dando a tudo uma atmosfera espectral e cinemática. A ocupação do espaço respeita a provocação pirandeliana (há actores entre o público, criando a confusão entre a realidade e a ficção), mas obedece também à lógica nostálgica (os actores-espectadores estão sentados no palco - nós assistimos a uma encenação de uma provocação que teve lugar no passado).
"Esta Noite Improvisa-se" é também uma história condensada dos AU. Se a primeira hora e meia herda a polifonia dos primeiros espectáculos do grupo, a última meia hora atesta a evolução deste colectivo para uma intimidade de câmara (leia-se de cave, de convento). Em palco, somente dois actores, Sílvia Filipe (Mommina) e Pedro Lacerda (Rico Verri) que compõem, respectivamente, a mulher que sacrifica os seus sonhos de viver no palco pela prisão conjugal, e o seu marido. E aqui, Sílvia Filipe, muitíssimo bem socorrida por Lacerda, é absolutamente magnífica. A lentidão que substitui a vertigem inicial torna-se febril e inquietante. E depois disso, depois da mulher que morre a explicar o que é o teatro às filhas, não apetece mais nada.

Rui Pina Coelho, in Ipsilon, Quinta-Feira, 12 Março 2009

sábado, março 21, 2009

A poesia é

Monika Goetz , Realm of the Mind (2002)

De Novalis a frase:
«A poesia é, entre as ciências, a juventude.»
lllllllllllllll
Está sempre a começar;
A inaugurar, a fundar, a inventar, a descobrir.
(...)
lllllll
Gonçalo M. Tavares, Investigações. Novalis

quinta-feira, março 19, 2009

Leituras perdidas?

Ju Rigoni, Dúvida
Chegaram ao meu email as fichas de leitura dos alunos: Brandon, Cristina, Fábio, Guilherme (o único a entregar na data prevista), Joel, Luís Faria, Luís Kuski (sendo que as dos últimos três alunos são cópias umas das outras...) e Ana Teresa. Por onde andam as do resto da turma? No Beco ou na Errância?

quarta-feira, março 18, 2009

Aljubarrota: outra perspectiva



Faltava a versão paródica da Batalha de Aljubarrota...

segunda-feira, março 16, 2009

Camões, Pessoa, Picasso e a guerra

Pablo Picasso, Guernica

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
– Duas, de lado a lado –,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
É boa a cigarreira,
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.

Fernando Pessoa

Camões, Malick e a guerra



Terrence Malick, The thin red line (Barreira Invisível, na tradução portuguesa)

Proposta de trabalho: leitura comparativa da estância 44 do Canto IV d' Os Lusíadas (pertencente ao episódio da Batalha de Aljubarrota) e deste trailer do filme.

domingo, março 15, 2009

Camões, Oliveira e a guerra



Manoel de Oliveira, Non ou a vã glória de mandar
E nós percorrendo Os Lusíadas, a caminho da Batalha de Aljubarrota. Amanhã...

sábado, março 14, 2009

Entre os «heróis do mar» e os «heróis da bola»

Na actualidade, os jogadores de futebol são considerados heróis, como o foram antes os navegadores portugueses de Quinhentos. Qual destas constelações de heróis merecerá mais respeito? Poderão eles ser comparados? São estas as duas perguntas que se impõem.
Os heróis do passado conquistaram tudo o que hoje somos, o nosso território, a memória histórica de um império que nos pôs no “comando” do mundo (e que perdemos), uma identidade e um orgulho nacional de termos dado “mundos ao mundo”, contribuindo para pôr em contacto povos, religiões, culturas diversas, de termos legado a nossa língua e a nossa cultura a várias regiões do mundo.
Além da grandeza e do alcance para Portugal e para a Humanidade das conquistas dos heróis dos Descobrimentos, e como bem realçou Camões n’Os Lusíadas, importa lembrar os múltiplos obstáculos e dificuldades que tiveram de enfrentar. De facto, um feito tão extraordinário como a aventura das Descobertas foi levado a cabo em condições inimagináveis nos nossos dias e exigiu dos marinheiros portugueses uma coragem e um espírito de sacrifício incalculável.
Temos de convir que, pese embora o entusiasmo com que vibramos com as conquistas dos nossos craques da bola, nem a dimensão desses feitos tem o mesmo efeito decisivo no destino da nossa nação (e muito menos na evolução da Humanidade), nem o grau de heroísmo necessário para vencer e conquistar o sonho de ir mais longe é o mesmo. No primeiro caso porque, por muito dinheiro e mediatização que envolva o fenómeno futebolístico, não são perceptíveis contribuições significativas para o desenvolvimento do conhecimento, verdadeiro motor de propulsão das sociedades humanas. No segundo caso porque, na verdade, os grandes craques da bola, embora tenham de manter um nível elevado de empenhamento, têm também todas as condições para desenvolver o seu trabalho, são mesmo “apaparicados” e comportam-se como vedetas, exibindo futilmente o luxo dos bens materiais que podem adquirir com os seus ordenados exorbitantes.
Não quer dizer que devamos desprezar o valor simbólico destes novos heróis, sobretudo se eles transmitirem ideais positivos para os mais jovens e se for aproveitado o reconhecimento mundial destes jogadores como “cartão de apresentação” para projectar Portugal lá fora, abrindo caminhos para “heróis” de outras áreas menos mediáticas e contribuindo para a promoção do país nas vertentes económica e cultural.
Reconheçamos, pois, a superior relevância dos feitos dos nossos «heróis do mar», mas vivamos também as alegrias que os nossos «heróis da bola» nos vão dando, e façamos deles o melhor que eles puderem ser - heróis à medida do nosso tempo –, todavia aspirando a uma heroicidade individual e colectiva que vá mais longe que o mundo da bola.
Ana, Brandon, Guilherme e Joel

quinta-feira, março 12, 2009

Um mar de desconhecimento...


O «mar anterior a nós» a que se refere Fernando Pessoa no primeiro verso do poema «Horizonte» não seria o mesmo que Camões designa por «mares nunca dantes navegados», ou seja, o mar desconhecido que foi revelado pelos Descobrimentos portugueses? Realmente era muito difícil perceber, principalmente pela óbvia relação intertextual com Os Lusíadas, de que já havíamos falado. Enfim... Deixo um endereço em cima para verem mais imagens desse «mar anterior anós». Deixo abaixo mais um texto que pode esclarecer os que porventura ainda tenham dúvidas.

«Na Idade Média o Atlântico para sul de Marrocos e para ocidente da Europa era visto como um Mar Tenebroso, que a imaginação de cristãos e muçulmanos povoava de monstros e de incertezas sobre o que nele se poderia encontrar. O medo de enfrentar esse mar desconhecido impediu durante muito tempo a sua exploração. Por outro lado o tipo de economia européia da Idade Média não estimulou durante muito tempo tais explorações. As guerras na Europa também não propiciavam o investimento em explorações além-mar.
Nos meios culturais dominantes na Idade Média seguiam-se autoridades antigas que não acreditavam que existissem antípodas e ge­ralmente admitia-se que as elevadas temperaturas equatoriais impediriam a vida de homens ou a realização de navegações a baixas latitudes. Alguns escritores e artistas deram largas à fantasia e descreveram seres fantásticos, que habitariam em zonas incógnitas. Por tal motivo aceitou-se durante muito tempo que haveria seres humanos com uma só perna ou com cabeça de cão ou com cabeça situada no tórax. A crença neste maravilhoso fantástico situado em zonas da Terra distantes derivava dos homens desconhecerem a extensão e a diversidade do gênero humano.
Os europeus da Idade Média desconheciam a América e a maior parte da África e da Ásia, assim como os povos destes continentes des­conheciam a Europa. As várias civilizações da terra viviam fechadas sobre si ou man­tinham muito poucos contatos.
O medo de passar para lá do cabo Bojador, frente às ilhas Canárias, estava arraigado nas mentalidades dos europeus, fato que os impedia de conhecer a forma da África, levando muitas pessoas a aceitar a teoria de Ptolomeu, onde se admitia ser o Oceano Índico um mar fechado.
O desconhecimento da geografia do mundo e as crenças antigas em monstros e seres fabulosos foram ultrapassadas pela expe­riência dos portugueses que venceram os medos medievais e obtiveram o conhecimento da realidade da Terra.»

Revista “Cabral, o Viajante do Rei” - 1ª Edição
www.cabral.art.br

quarta-feira, março 11, 2009

Amores (im)possíveis?

Helena Almeida

O mundo e o país estão cada vez mais modernizados, diz-se, quando se fala em amores contrariados, porque as pessoas são mais liberais, contudo existe quem pense o contrário, talvez por estar a vivê-lo.
É verdade que, em muitos lugares, nem existem amores contrariados, já que os familiares dão liberdade total aos filhos para namorarem e casarem. Por outro lado, há outros casos que não são assim, principalmente no que diz respeito às raparigas, que não têm liberdade para namorar porque têm pais antiquados, que protegem demasiado as "suas meninas", pensando que as podem defender da vida. Já com os rapazes é o contrário, a expressão "Ele é homem" exprime a diferença face às raparigas. Ainda existe muita desigualdade e discriminação da parte dos pais relativamente aos filhos.
Tudo é uma questão de mentalidade. E muitos dos amores que são contrariados actualmente ainda o são pelas mesmas razões de antigamente: conflitos entre famílias ou a diferença de classe social. Colocam-se também outros problemas: o nível etário diferente; os contrastes económicos...
Todos sabemos que, em algumas culturas, nomeadamente a muçulmana, os amores também são contrariados por tradições rígidas e severas, que limitam totalmente a liberdade de escolha das raparigas. Em algumas regiões, crianças com apenas 4 anos já têm um par escolhido pela família. Se mais tarde se revoltar contra a decisão da família podem ser castigadas com um apedrejamento. Caso em que os amores, além de contrariados, são trágicos.
Pode-se, pois, dizer que na actualidade há um pouco de tudo. Vemos que em muitas sociedades continuam a não ter respeito pelas escolhas de cada um. O mundo pode evoluir mas sempre vão existir destes amores - contrariados - porque muitos destes preconceitos se mantêm ao longo dos tempos. Pobre e sofrido daquele que é contrariado por se limitar a Amar.
Carina, Márcia, Cristina, Ricardo

quarta-feira, março 04, 2009

Tu, só tu, puro amor



Bailado Pedro e Inês, pela Companhia Nacional de Bailado, coreografia de Olga Roriz.

Tu, só tu, puro amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto III, 119

terça-feira, março 03, 2009

Estavas, linda Inês...

Castro, de António Ferreira, encenação de Ricardo Pais

Castro
Colhei, colhei alegres,
Donzelas minhas, mil cheirosas flores.
Tecei frescas capelas
De lírios e de rosas; coroai todas
As douradas cabeças.
Espirem suaves cheiros,
De que se encha este ar todo.
Soem doces tangeres, doces cantos.
Honrai o claro dia,
Meu dia tão ditoso, a minha glória
Com brandas liras, com suaves vozes!


Ama
Que novas festas, novos cantos pedes?

Castro
Ama, na criação ama, no amor mãe,
Ajuda-m'ao prazer.

Ama
Novos estremos vejo.
Nas palavras prazer, água nos olhos.
Quem te faz juntamente leda e triste?

Castro
Triste não pode estar, quem vês alegre.

Ama
Mistura às vezes a fortuna tudo.

Castro
Riso, prazer, brandura na alma tenho.
mmmmm
António Ferreira, Castro

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto III, 120

segunda-feira, março 02, 2009

O Senhor que se segue

La nueva generación de novelistas portugueses, me refiero a los que están ahora entre los 30 y los 40 años de edad, tiene en Gonçalo M. Tavares a uno de sus exponentes más cualificados y originales.
Autor de una obra sorprendentemente extensa, fruto, en gran parte, de un profundo y minucioso trabajo escondido de la curiosidad del mundo, el autor de O Sr. Valéry, un pequeño libro que estuvo durante muchos meses en mi mesilla de noche, irrumpió en la escena literaria portuguesa armado de una imaginación totalmente inusual y rompiendo todos los lazos con los datos del imaginario corriente, además de ser dueño de un lenguaje muy propio, en que la osadía va de brazo dado con el vernáculo, de tal manera que no será exageración decir, sin ningún desdoro para los excelentes novelistas jóvenes de cuyo talento disfrutamos actualmente, que en la producción novelística nacional hay un antes y un después de Gonçalo M. Tavares. Creo que es el mejor elogio que puedo hacerle. Le vaticiné el Premio Nobel para de aquí a treinta años, o incluso antes, y pienso que voy a acertar. Solo lamento no poder darle un abrazo de felicitaciones cuando eso suceda.
José Saramago, inhttp://elmercuriodigital.es/content/view/17061/370/, 02.03.09
llllllllll
O Senhor que se seguirá nas vossas leituras. O Senhor por detrás dos Senhores (Valery, Henri, Brecht, Juarroz, Kraus, Calvino, Walser, Breton...) que habitam um Bairro literário.

domingo, março 01, 2009

Uma telha a mais...

Fernando Lemos
A algaravia

Esta história do livro Casos do Beco das Sardinheiras, de Mário de Carvalho, fala sobre um canalizador que falava muito e um dia levou com uma telha na cabeça. Veio do hospital e não falava português mas percebia o que as pessoas lhe diziam. O Zé Metade, O Andrade e o Zeca da carris decidiram mandar-lhe com uma telha no outro lado da cabeça para ver se ficava direito. Mandaram e quando veio do hospital falava português mas não percebia o que lhe perguntavam e começou a falar por gestos.
Guilherme Machado